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JORNALISMO CULTURAL
Explicit
May 20, 2008 06:33 PM PDT

Miguel Farias - Produtor e Apresentador do Programa Liberdade de Expressão
Tema: Jornalismo Cultural

Neste programa, para discussão sobre o tema Jornalismo Cultural, foram convidados o Escritor Raimundo Carrero, a Jornalista do JC Carol Almeida, editora assistente do Caderno Cultural, Alexandre Figuerôa, Professor da Uiversidade Católica de Pernambuco e Demir, produtor cultural.

Escritor Raimundo Carrero, Jornalista Carol Almeida, Miguel Farias, Alexandre Figuerôa e Demir

O jornalismo cultural ocupa um papel importante na imprensa brasileira. Na atualidade, além das secções destinadas ao comentário e à crítica da produção intelectual e artística que integram diversos veículos de grande circulação, existem os “cadernos de cultura”, também voltados para a cobertura noticiosa e para a análise dessas atividades

Ao contrário do que se tem dito a respeito de uma “profunda” crise na imprensa, as manifestações jornalísticas especializadas na cobertura de eventos culturais, na sua avaliação e na reflexão em torno de tendências da arte e do pensamento contemporâneo, mostram-se bastante intensas e numerosas e, em alguns casos, com sustentação material de razoável consistência.

Até algum tempo atrás, o Jornalismo Cultural era classificado como espaço de mercado, de vaidades, corroborando a idéia, segundo a qual as pautas da produção do jornalismo cultural só encontravam lógica nos fundamentos de que ele aparentava ser um prestador de serviços ocultando uma operação de natureza basicamente econômica. Hoje, nós já estamos encontrando um conjunto de jornalistas que se posicionam de forma independente e não se deixam envolver pelas pressões das assessorias de comunicação.

Mas, enfim, como é possível produzir esse idealizado bom jornalismo cultural atualmente, sem se deixar levar pelos esquemas de divulgação das assessorias, sem se submeter silenciosamente à ditadura da agenda, à presença constante da linguagem publicitária, à limitação dos textos e aos processos de generalização simplificadora e/ou segmentação limitadora dos públicos e dos veículos?
Evidente, não é fácil para o jornalista trabalhar nos veículos comerciais sem se deixar envolver pelos inúmeros compromissos que o meio de comunicação está atrelado, até porque o mercado é o mantenedor do veículo e o jornalista está comprometido com o seu jornal.

O colunista Eduardo Piza diz que "a importância do jornalismo cultural está na forma como ele mexe com a opinião dos leitores, que estão sempre buscando um filtro seletivo para saber o que deve ler e assistir. Ele atrai e provoca o leitor. É nos cadernos culturais que se cria uma relação afetiva com o público".
Portanto, a responsabilidade do Jornalista Cultural é de informação e de formação de plateias, de leitores, de consumidores de arte em todos os sentidos e a credibilidade para isso depende exclusivamente da independência que ele tem ao direcionar suas críticas aos seus leitores.

Não se pode esquecer, que um espaço para o Jornalismo Cultural está postado no mundo virtual. A Blogosfera permite que se faça um trabalho independente dando mais peso à interpretação e à opinião, o que não quer dizer que notícias mais quentes, inadiáveis, devam ser deixadas de lado, sem deixar que a correria do dia-a-dia e a superficialidade tomem o espaço da análise, da crítica e do debate de idéias.

Qualquer um pode escrever sobre cultura. Mas fazer bom jornalismo cultural é outra história. Não basta arriscar-se a detonar um livro, um filme ou uma peça de teatro com base no famoso "eu acho que", sem argumentos sólidos ou sem nunca ter tido contato com uma referência anterior. O glamour de ser um jornalista cultural, faz com que alunos de universidades que aspiram à função, esqueçam que há um nome exato para o que preenche esse vazio - do querer e do ser - : repertório cultural. Quem quiser ser um verdadeiro crítico de cultura, tem que ter consciência de que à sua espera estão muitos anos de leitura, de treino e de vivência. Tem que gostar, mas além de gostar, frequentar o meio cultural e conhecer profundamente sobre o ou os assuntos que deseja explorar.

Num artigo de Adriano Schwartz, professor da USP, ele diz que "Quando o jornalista cultural critica um livro, significa que conhece a história do autor, procura saber como a obra foi feita e busca conexões com outras obras literárias. Há quem escreva para orientar o leitor, mas há quem faça isso para mostrar a própria inteligência ou para atacar inimigos e aplaudir amigos" e que "A vaidade pode ser mais forte que o interesse profissional, em muitos casos". Mas o que incomoda o crítico é o fato de jornais e revistas aceitarem passivamente certos lançamentos, sem fazer uma crítica mais profunda

O jornalista cultural deveria então, separar o joio do trigo – informar e, mais do que isso, formar o leitor, através de sua bagagem e de seu julgamento crítico. Infelizmente, porém, predomina hoje o jornalismo de agenda, onde as vedetes são os guias de fim de semana, e o modus operandi é o mesmo da divulgação publicitária.

Para o Demir, a crítica quando é positiva alegra e, se ao contrário, é cruel, mas ele ainda acha que seria muito pior se não fosse feita nenhuma alusão ao trabalho do artista.

A mesma opinião é da Cantora e Compositora Jacinta Pinheiro, que até pede que seu trabalho seja criticado com isenção, mas que seja feita de qualquer forma.

Jacinta Pinheiro cantou e agradou com um acompanhamento primoroso

"O especialista arrogante, nesse cenário, perde espaço e o palpiteiro descompromissado ganha.”